quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Avesso.

Só, estando em qualquer lugar que seja, escreve os versos. É só isso que faz, escrever. Minto. Escrever e pensar sobre como seria o avesso. Pensa sobre escrever e escreve sobre o pensamento. Se distrai com os versos, pensando em como seria ter percorrido os outros diversos caminhos, como seria ter adentrado por qualquer outra viela estreita. Até porque não importa aonde se quer chegar, há vários caminhos possíveis. E para além disso, ainda digo: há várias maneiras diferentes de se percorrer o mesmo caminho. Há os que seguem lento, os que aproveitam a paisagem, os que andam por andar. E, digo ainda mais, para cada jeito de se percorrer um caminho, há uma passada distinta. Um andar lento, cuidadoso, pra direita, pra esquerda, para trás. E escrevia. Por hora, sentia que o caminho era o mesmo de sempre, sem perspectiva no horizonte distante, o andar era monótono e a passada, de andar as vezes trôpego, as vezes constante (mas não se engane, a constância era apenas pra ver aonde o caminho iria dar). Senta. Escreve. Pensa em entrar na próxima viela. Levanta e continua a andar. Só o que faz é escrever os versos. Minto. Escrever e pensar sobre como seria o avesso...

Um comentário:

  1. Caminhos que se bifurcam... não quero babar sobre Borges, mas às vezes ali está ele.
    A propósito, belos desenhos (estava eu em skineart e de repente puft! E além de desenhar, escreves. Permito me intrometer por aqui, sim? É que não resisto às letras!).

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