quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Considerações sobre o amor verdadeiro.

Há quem diga que enxerga-se o amor
De primeira vista, visto que, amor seria
Dádiva divina, essência extraída dos
Primeiros olhares, de inconscientes percepções.
Assim, entender-se-ia o amor de súbito,

Por completo, instantaneamente inteiro.

Perceber-se-ia intrinsecamente o outro
Sem necessidade de maiores pormenores.

Embora desejasse crer em toda essa teoria
Sobre a percepção do outro e sobre a naturalidade
De entender-se repentinamente como parte
De outra metade, como que em desígnio divino,
Reconhecer íntimo em segundo ínfimo,

O amor não é lúcido, nem tampouco previsível.

Ao contrário, por ser amor,
O amor verdadeiro é desconcerto,
É constante insegurança e dúvida mútua.
(O que queres é o alçar vôo,
Ou desejas um singelo pouso?)

Não é medido e nem reconhecido de princípio

Justamente por se tratar de amor, é desconforto.

É fagulha de ceticismo, centelha
A respeito de todo o blábláblá divino.
É a certeza da incerteza.

Também enxergo-o e tateio-o,
Porém, com a clareza de quem vê o sol de olhos cerrados
Como quem só dá por entendida a brisa
Quando esta lhe acaricia os poros.

Conseqüentemente, embora fosse meu desejo,
Não encontro meio de partilhar de tamanha solidez.
Sou incrédulo de todo aparato teórico-divino,
Curiosamente, justo por ter amado.

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